QUALIDADE DE VIDA E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO

“A língua grega tem duas palavras ligadas à noção de tempo: chronos e kairos. Para a pessoa chronos, tempo, tem a ver  apenas com horários, atrasos, prazos e duração de eventos e atividades, enquanto para a pessoa kairos, tempo tem a ver com valores e qualidade em seu uso.”

Há algum tempo, ministrando uma palestra em Londrina, sobre o tema “levando qualidade de vida ao campo”, em trabalho junto a lideranças rurais, iniciei minha conversa fazendo três perguntas:

* Quantos dos produtores rurais aqui presentes cumprimenta com um bom dia sonoro a todos os que se encontram dentro de sua propriedade?

* Quantos dos produtores rurais aqui presentes, do sexo masculino, e que têm filhas e mulheres morando consigo, ao utilizar o vaso sanitário em suas casas, baixam sua tampa,  para que elas possam utilizá-los sem riscos?

* Quantos dos produtores rurais aqui presentes serão capazes de organizar seu dia-a-dia sem que se queixem, ao seu término, de que não conseguiram “fazer nada”?

O conceito de administração ou de gestão do tempo está sendo superado pelo da organização do trabalho. E isto se dá pelo fato de que, ao organizar seu conjunto de ações, atividades, responsabilidades, qualquer profissional estabelece uma escala de prioridades, onde o desperdício não tem vez, onde o retrabalho não se manifesta, onde a qualidade é premissa e não conseqüência.
Qualidade de vida é uma expressão que transcende seu conceito; é enxergar o cenário em que você habita com olhos perscrutadores, é ter visão crítica voltada para a objetividade, é perceber cores onde as nuanças nem sempre são claras.

Warren Bennis, em seu livro A INVENÇÃO DE UMA VIDA (Editora Campus, SP, 1.997), define que os líderes, gestores, enfim aqueles que são responsáveis por resultados no mundo contemporâneo estão postos diante de quatro exigências essenciais:

O gerenciamento da atenção, onde existe a necessidade de perceber todos os fenômenos que se passam a sua volta, no sentido de usufruir de todo e qualquer benefício que surja, e contribuir para um padrão de qualidade em seu próprio cenário;

O gerenciamento do significado, onde o foco é a qualidade das mensagens que emite e recebe; dar sentido ao que diz, perceber sentido no que ouve, ler e cobrar sentido quando entender que a mensagem está vazia;

O gerenciamento da confiança, para que as pessoas que se envolvem com ele sintam-se seguras e possam escolher seus próprios caminhos, já que sua presença significa consistência;

O gerenciamento de si próprio, já que, como líder, ele é modelo, vai ser seguido e, portanto deve mostrar perfil qualitativo digno de ser copiado.

Entender sua importância no cenário, entender sua importância junto aos que o seguem, formalmente ou não, entender que cada gesto seu, cada ação sua tem impacto sobre outros ou sobre situações fora de seu contexto, exigindo um padrão de conduta e estilo consistente, faz parte do homem produtivo contemporâneo.
Isto vai trazer qualidade, isto vai fazer deste profissional um novo homem, sua organização pessoal vai lhe trazer crescimento.
E, convenhamos, se com essa organização, ele ganha tempo para si, e estejamos certos de que haverá espaço para aumentar sua taxa de felicidade e de realização. Quando não para ficar mais ocioso...

OBS. : Material retirado dos programas Planejamento, Organização do Trabalho e Gestão do Tempo Na Era da Informação.

Francisco Bittencourt,
Consultor do Instituto MVC - Instituto M. Vianna Costacurta Estratégia e Humanismo
www.institutomvc.com.br

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