Gestão Emocional

 

A liderança moderna baseia-se em técnicas, comportamentos e competências, nem sempre inatos ao indivíduo, o que permite aos portadores de boa vontade e perseverança, a possibilidade (ao menos esperança) de um dia tornarem-se líderes pôr excelência. Para guiar a enxurrada de novos candidatos a líderes  existem dezenas de teorias e manuais, livros de auto ajuda, artigos e periódicos dedicados a formarem líderes em um final de semana. Não quero parecer contrario a estas publicações, pois acredito mesmo que possam auxiliar, afinal, quanto maior a quantidade de informações existentes, mais fácil de se alcançar o objetivo, esta é uma regra que é real e caso não consiga desenvolver suas competências de liderança, pelo menos o indivíduo ampliou seus conhecimentos.  Bem, se as publicações podem realmente ajudar e estão disponíveis e ao alcance da grande maioria da população, pela lógica deveríamos encontrar um líder em cada esquina, mas na prática sabemos que a realidade é outra, basta precisarmos de um verdadeiro líder para guiarmos um determinado grupo, para percebermos o quanto é difícil encontrarmos este profissional. Daí a necessidade das organizações investirem cada vez mais nos programas internos para desenvolvimento de lideranças e o motivo pelo qual os profissionais capazes de desenvolverem talentos valerem seu peso em ouro.

         O grande problema da maioria dos conceitos ou publicações relacionadas à liderança é o fato de esquecerem que estamos lidando com indivíduos, ou seja, seres humanos que se diferenciam uns dos outros por natureza e devido a isso a aplicação de alguns conceitos implica para esse indivíduo, na violação de sua própria constituição psicológica, ou seja, assumir determinados papéis, ou atitudes que são contrárias a seu próprio “Ser”.  Essa combinação, ou melhor “não combinação” de valores, sentimentos e atitudes, pode causar danos ao desempenho do indivíduo em seus relacionamentos, podendo gerar agressividade, angústias e frustrações.  Todos nós precisamos nos adaptar as mais diversas situações e quanto melhor essa capacidade, melhor nos relacionamos com o meio, mas as adaptações precisam ocorrer de forma gradual, respeitando o tempo de cada indivíduo. Tornar-se um líder, é também uma adaptação a um novo papel. Respeitar seu tempo de maturação é fundamental para que este processo ocorra por completo de forma saudável e eficiente.

         O papel do líder é constituído por uma série de fatores passando pelo campo da estratégia e dos relacionamentos, neste último surge à emotividade, o conjunto das emoções e sentimentos de todo ser humano que podem colocar em jogo a posição alcançada, caso não seja bem equilibrada e controlada. Será que um líder que omite suas emoções, em prol de um relacionamento padrão em uma organização, será mais eficiente no desempenho de sua tarefa em relação a outro que utiliza suas emoções sem máscaras ou filtros no relacionamento com seus liderados?

         A experiência me mostrou que os líderes que conseguem o domínio e o desenvolvimento pleno de seu grupo são, na grande maioria, aqueles que buscam um relacionamento afetivo mais intenso com o mesmo, dividindo as dores e alegrias com os liderados. As pessoas sentem-se mais valorizadas, acreditam mais em seu líder, entregam-se plenamente ao desenvolvimento das tarefas delegadas e apresentam-se de maneira mais responsável e comprometida perante a organização.

Vivenciar suas emoções junto ao grupo pode permitir ao líder ser aceito como um parceiro e cada membro identificar-se com alguém, próximo, não distante, o qual pode um dia, vir a substituir.  Quanto mais o liderado se identifica com seu líder, mais deseja ajudá-lo.  Além do mais, quem falou que liderança está ligada à frieza ou severidade emocional. É preciso não confundir estas características com controle emocional, que nada mais é que adaptar-se a cada situação nova que surge, sem desgaste emocional.

 

Paulo Egidio Artuzo

Consultor de RH

In-Pacto Consultoria

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