NA CASCA DE NOZ

 

Por Paulo Botelho

 

“Eu poderia viver recluso numa casca de noz e me considerar rei do espaço infinito”.

(Hamlet, de William Shakespeare, poeta e dramaturgo inglês).

 

A primeira vez que vi uma foto do físico inglês Stephen Hawking fiquei desolado. E me perguntei: Como é possível formular e defender teorias com tantas limitações físicas; prisioneiro em uma cadeira de rodas?

Nascido em Oxford, Inglaterra, em 1942, exatamente no aniversário de 300 anos da morte de Galileu-Galilei, Hawking obteve o seu doutorado em física pela Cambridge University em 1966. Neste mesmo ano, foi diagnosticada nele uma doença degenerativa (Esclerose Lateral Aminiotrófica) que o mantém – até hoje – privado de locomover as pernas e de falar. Ele só escreve.

 

O príncipe Hamlet, de Shakespeare, sentia-se aprisionado na Dinamarca pelas angústias que lhe atormentavam. Mas, ao mesmo tempo, dizia que ainda que dentro de uma casca de noz poderia sentir-se rei do espaço infinito. Creio que, para Hawking, ocorre a mesma coisa. Para o cientista, o universo tem a sua história em tempo imaginário como esfera minúscula, ligeiramente achatada – lembra uma noz – codificando tudo o que acontece no tempo real.

 

Neste ano, a Editora Ediouro acaba de relançar o clássico “O Universo numa Casca de Noz”, de Stephen Hawking. Em uma linguagem simples, com poucos adjetivos e mais substantivos, o autor conduz o leitor às fronteiras da física teórica, onde a verdade é, frequentemente, mais estranha que a ficção, para explicar os princípios que controlam o universo. A Teoria da Relatividade e a Mecânica Quântica estão lá na “Casca de Noz” compondo o que ele chama de Teoria do Tudo.

 

Entretanto, o que o também inglês Shakespeare coloca na boca do príncipe Hamlet tem muitos significados; significa, principalmente, que podemos ser,com muita frequência, prisioneiros da sociedade que dita as regras e as leis; prisioneiros dos juízos de valores com seus conceitos e preconceitos. Não obstante, o nosso pensamento será sempre livre e solto. Somos livres e soltos para pensar e somos livres e soltos para dizer – e escrever – o que quisermos. Principalmente o que faz sentido. “Tudo tem sentido e essência na vida”, já dizia Platão, filósofo grego.

 

Outro inglês, Charlie Chaplin, mostra o sentido da vida em seus filmes. Ele soube, através do personagem Carlitos, isolar em seus dados pessoais, em sua inteligência e em sua sensibilidade, os elementos de irredutível humanidade. É como se diz em linguagem matemática: pôs em evidência o fator comum de todas as expressões humanas. – Tudo está na Casca de Noz!

 

Paulo Augusto de Podestá Botelho é Professor e Consultor de Empresas. Membro-Docente da SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. WWW.paulobotelho.com.br