Quem? Eu? 

Luiz Marins

            Ou diretores, gerentes, supervisores e que tais assumem a total responsabilidade pelas suas áreas ou continuaremos chorando o fracasso e buscando culpados e explicações para o inexplicável.

            Um gerente de vendas me diz que sua empresa não vende mais porque não existem mais vendedores competentes. Um supervisor de linha de produção justificou a baixa qualidade dos produtos dizendo que não há mais ninguém competente na fábrica. Um presidente falando ao conselho de acionistas disse que a culpa pela perda de clientes era do diretor comercial, um incompetente.

            Até quando?

            Fico impressionado ao ver que diretores, gerentes, supervisores e mesmo empresários têm uma grande facilidade em achar culpados, em julgar incompetências e uma enorme dificuldade em assumir a responsabilidade pelo fracasso. Se seus vendedores não vendem, saia você vender ou treine melhor seus vendedores ou substitua todos eles por outros competentes – ouvi um presidente de conselho dizer para o country manager que justificava suas fracas vendas. O mesmo ouvi um presidente dizer a um supervisor de linha. Troque seu pessoal, dizia ele ao supervisor. E quando o supervisor dizia que não conseguiria achar ninguém melhor no mercado, ele – o presidente – retrucou: Então treine o seu pessoal. Faça alguma coisa ou nós faremos; e o que nós faremos você já sabe – trocar você!

            Tenho visto que numa empresa todos sentem-se “administradores”  e não “fazedores” ou “realizadores”. A maioria espera que alguém faça; que alguém consiga; que alguém resolva. Mas quem é esse “alguém”? Quando disse a um gerente – Você! Ele me respondeu: Quem? Eu? Mas eu sou gerente! É claro que o gerente não precisa e às vezes não deve “fazer” as coisas em lugar de seus subordinados, mas ele deve sentir-se totalmente responsável, isto é, ele deve saber que é ele quem “responde” pela sua área. Logo, se seus subordinados não fizerem, ele deve fazer ou resolver definitivamente o problema, treinando, ensinando ou mesmo substituindo quem ele achava que deveria fazer. O mesmo dizem os subordinados: Eu não sou o chefe! O chefe – diretor, gerente ou supervisor – é quem deve fazer isso. E assim, num jogo de empurra-empurra, as coisas simplesmente não são feitas.

            Novamente numa reunião de conselho, um dos conselheiros disse ao presidente da empresa – “se você tem todo o poder (e é o único que tem) de substituir todas as pessoas da sua companhia, não há outro culpado senão você mesmo. Faça o que tem que ser feito, mas atinja os resultados com os quais você se comprometeu perante este conselho”.

            E aí, quando encontramos alguém que realmente se compromete e toma para si a total responsabilidade de sua área, ficamos espantados ao ver o seu sucesso. E aí ficamos procurando as razões e os motivos. E, descobrimos que eles são mais simples do que imaginamos. Não há nenhuma teoria complicada. Não há nenhum mistério sobrenatural. Há apenas o assumir, o responder, o sentir-se responsável. Aí encontramos alguém que diz. Sim, sou eu o responsável.

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