Computador vítima da violência de usuários

O estresse e a vida agitada já estão se refletindo também no modo do usuário se relacionar com o computador. As máquinas também são vítimas do comportamento tempestuoso de certos tipos de usuários que acabam descarregando seus impulsos mais violentos nos seus equipamentos. As constantes agressões e os maus tratos geralmente trazem prejuízos.

Estamos no século XXI, a Era da Informática, das neuroses, do estresse das grandes cidades. E, nestes tempos, o computador está se transformando num equipamento importante tanto para o trabalho quanto para o lazer, sendo necessária uma ‘convivência pacífica’ com a máquina, o que parece não estar acontecendo.

Agressões são geradas por dois fatores: a falta de conhecimento técnico para recolocar a máquina em funcionamento e o desejo natural do homem de humanizar a máquina, muitos usuários justificam a agressão como resultado do estresse a que são submetidos na sociedade moderna.

Conversando com usuários, há quem afirme duvidar que exista alguém que não tenha dado pelo menos uma vez na vida uns trancos no equipamento. Há ainda os casos de crianças que pensam que o drive é uma gaveta para guardar pequenos brinquedos, moedas e, eventualmente, ser usado como porta bolachas.

Especialistas em manutenção e conserto de computadores concordam que existem casos de agressores de computadores. Eles dizem que é difícil saber se o equipamento foi quebrado por acidente, negligência ou foi vítima de agressão, pois raramente um usuário chama a assistência técnica e assume que espancou a máquina e a danificou.

Eles também dizem que nos casos de agressão a mouses e teclados, é difícil de saber com que frequência isso ocorre. São acessórios baratos e o normal é o usuário quebrar um deles, jogá-lo no lixo e comprar um novo. Embora mais resistentes, certamente não aguentaria um arremesso ao chão ou contra uma parede, fato que normalmente ocorre quando alguns usuários nervosos ou estressados se irritam com alguma falha de operação da máquina.

Um acessório que costuma aparecer nas oficinas de manutenção vítima de agressão é a impressora. O exemplo mais comum: o usuário manda imprimir um material, a máquina puxa um número maior de folhas, trava e ele, automaticamente, puxa com violência os papéis, quebrando os roletes que alimentam a impressora, que são peças delicadas.

Eles contam que os danos mais comuns, no equipamento podem ser provocados também pelos usuários que costumam comer na frente do computador, para não perder tempo, usando a torre do HD como aparador de copos de refrigerante ou xícaras de café e o teclado como toalha. Esse usuário pode acabar derramando o líquido em cima do monitor, queimando a tela. Assim como causar danos irremediáveis ao teclado com as migalhas e líquidos que acidentalmente venha a espalhar sobre ele, já que estas ficam acumuladas sobre a placa do periférico. A maioria dos problemas surge não pelas agressões físicas, mas por uma classe de usuário que, no jargão de informática, é identificada como ‘B.I.O.S.’ (‘‘bichos ignorantes operando o sistema’’).

Estórias de uma relação ....

O designer Cláudio Silveira relembra uma estória. ‘‘Começamos com uma agressão ocorrida há dois anos. Eu tinha um amigo que era um daqueles que não aceita qualquer demora ou falha quando está operando seu terminal. Lembro-me que após algumas horas de trabalho, ele resolveu sair para tomar um café esquecendo-se de salvar o trabalho. Nesse período, houve uma queda de sistema e o arquivo foi apagado. Num gesto impensado, esse colega atirou a CPU no chão e provocou um curto-circuito que quase pôs tudo a perder’’.

Lígia de Souza se lembra de um colega de trabalho que parecia não se dar muito bem com as máquinas. ‘‘Ele tinha o costume de bater no computador toda vez que ele não respondia a algum comando ou quando a conexão com a Internet estava muito lenta’’.

Apesar de terem cenas de agressão ao computador, Lígia e Cláudio, afirmam que o melhor mesmo é manter a calma. ‘‘Há caso em que as batidas acabam provocando problemas bem maiores’’, concluem.

Luciano Spina França
Fonte: Diário Popular Informática
2001