A criatividade faz a diferença
Desenvolver o pensamento abstrato dos funcionários ajuda na solução de problemas

por Marco Antonio Lampoglia

Em tempos de competitividade acirrada, quando as soluções precisam ser encontradas de forma cada vez mais veloz, as empresas começam a valorizar o potencial criativo de seus funcionários. Embora ainda haja quem resista, a oferta de programas para desenvolver a criatividade das equipes já começa a fazer parte do dia-a-dia das empresas. Uma dessas companhias é a Mercedes-Benz, que regularmente oferece cursos de criatividade aos seus funcionários. Durante três dias, um grupo formado por cerca de 30 funcionários é destacado da empresa para desenvolver dinâmicas que favoreçam o surgimento de idéias e estimulem o potencial inovador dos participantes. A última edição do treinamento, realizada no ano passado, aconteceu fora da empresa para que o aproveitamento fosse ainda melhor. Observo em algumas empresas que a valorização da criatividade está diretamente ligada ao modelo de gestão e à cultura da empresa. Se a organização é voltada para a competência do talento humano e privilegia o trabalho em equipe vai procurar estimular seus colaboradores a encontrarem novas idéias. Na minha definição , criatividade é a busca de soluções inovadoras. Resolver um problema valendo-se de métodos conhecidos não tem nada de criativo . Lembro que muitas empresas constróem regras tão rígidas que se torna impossível desenvolver qualquer iniciativa que fuja ao manual. A Microsoft, ao contrário, mantém, no Vale do Silício, na Califórnia, equipes isoladas do resto da corporação. Distante dos preconceitos vigentes nas empresas, que podem exterminar idéias facilmente, essas equipes conseguem, assim, ser mais ousadas ao quebrar regras. - É preciso desenvolver o pensamento abstrato. Da totalidade dos problemas apresentados na empresa, 99% são resolvidos de forma tradicional, seguindo o manual. É na hora de resolver o 1% restante que um profissional criativo pode fazer a diferença. Apesar das evidências, muitas empresas continuam não acreditando na importância de estimular a equipe. São organizações centralizadoras e autocráticas que, justamente por isso, costumam afastar os profissionais mais criativos. Inquietos por natureza, eles não pensam duas vezes antes de trocar a empresa por outra onde haja mais abertura para desenvolver seu talento. Embora traga resultados positivos, o profissional criativo nem sempre é bem vindo, já que costuma incomodar. São pessoas diferentes, costumam destacar-se dos demais e por isso nem sempre são vistas com bons olhos.

RESULTADOS

Com a velocidade de informações e das transformações tecnológicas, os métodos tradicionais já não dão os mesmos resultados de antes. Diante disso, ter um profissional criativo pode não apenas ajudar como definir a sorte da companhia. Algumas dicas podem auxiliar a empresa a desenvolver esse potencial em seus colaboradores. A primeira delas é lançar pequenos e grandes desafios para os quais serão formadas - de forma espontânea - as equipes de trabalho. "Dessa forma é mais fácil obter resultados. Quando a formação do grupo é imposta, acaba que apenas dois ou três elementos trabalham. Outra forma de incentivar a criatividade é desenvolver treinamentos específicos. São cursos semelhantes ao que é oferecido pela Mercedes-Benz, em que os funcionários aprendem técnicas que estimulam seu pensamento e os ensinam a resolver problemas. Treinamentos desse tipo já são adotados por companhias do setor de telecomunicações, concessionárias de veículos e empresas de transporte, como a Viação Itapemirim, que há dois anos vem desenvolvendo programa de criatividade. O vice-presidente do Grupo Catho no Rio, empresa que tem entre seus clientes a Oracle e a TCE, Obadia Sion, atribui a valorização da criatividade à necessidade de redução de custos, ocorrida no final da década de 80. Com ela, profissionais com múltipla atuação ganharam espaço, em detrimento daqueles que realizavam uma única tarefa. Diante disso, foi preciso buscar conhecimento. Hoje as empresas buscam a criatividade já no processo de seleção, quando métodos cada vez menos convencionais são utilizados. Uma das formas de estimular esse potencial após a contratação é colocar o profissional diante de situações que fujam à sua rotina diária, permitindo que ele desenvolva condições de atuar em várias frentes. Posso citar ainda o job rotation, prática adotada por algumas companhias. Através dela, o profissional passa por várias funções, desenvolvendo atividades distintas. São oportunidades de despertar o senso de criatividade.

Marco Antonio Lampoglia
Diretor da Active Educação e Desenvolvimento Humano
marcoactive@terra.com.br Tel ( 0xx11) 50311358