"Chega de homenagens!"
Luiz Marins

“Chega de homenagens!
Quero o meu dinheiro.”


Adoniram Barbosa

Adoniram Barbosa, mestre do samba paulista, diante de tantas homenagens que lhe prestavam, soltou a frase acima, lembrando às pessoas que “homenagens” não pagam a conta do supermercado. Viveu e morreu pobre. Cheio de “homenagens”....

Troféus, cartões de prata, “top de marketing”, capas de revista, não pagam as contas das empresas. Conheço empresários e empresas que vivem em busca de “homenagens” e se embalam num mundo irreal de badalações que não levam a empresa a lugar algum.

Certa vez conheci uma revenda de veículos que fez uma enorme venda, espetacular mesmo, de mais de 100 veículos a um só cliente, de uma só vez. Com essa venda, foi homenageada pela montadora com troféus, jantares, homenagens mil. Quando perguntei ao empresário quanto a revenda dele havia ganho com aquela venda, ele, sem graça, me respondeu que havia “perdido alguns milhares de reais...”  e logo emendou: “mas, em compensação, ganhei prestígio junto à montadora, ao presidente mundial...”. Depois fiquei sabendo que até os jantares foram pagos, na verdade, por ele, revendedor, o que aumentou o seu prejuízo.

Sem entrar no mérito se esse empresário deveria ou não ter feito essa venda e quais os motivos que o levaram a fazê-la, gostaria de ressaltar que uma empresa não vive, nem sobrevive de “homenagens”. E o empresário, o diretor, o gerente, tem que tomar cuidado com o seu “ego”, com a sua vaidade, para não incorrer nesse risco e não cair nessa verdadeira armadilha de ter uma empresa “super homenageada” porém “quebrada”.

Troféus, jantares e homenagens só têm sentido se a empresa estiver financeiramente sadia e como prêmio pelos seus resultados positivos. Uma empresa verdadeira não pode servir de massageadora de “egos” de seus donos e dirigentes. Se o empresário ou dirigente quer “aparecer” e ser homenageado, deve entrar na política, candidatar-se a vereador, deputado, ser presidente de time de futebol ou o que quer que seja. Usar a empresa será fatal.

Muitas empresas ostentam em seu portfólio de clientes, multinacionais de primeira linha, empresas mundiais, etc. Porém essas empresas exigem descontos e prazos que fazem seus fornecedores experimentarem até prejuízo na venda de produtos e serviços. Essas grandes empresas sabem e contam com a ingenuidade das pequenas e médias empresas que sentem-se “orgulhosas” em tê-las como clientes, mesmo tendo prejuízo.

Conheço, igualmente, empresas com sedes maravilhosas, caras, com custo de manutenção incrivelmente elevado. Tudo para massagear o “ego” de seus dirigentes. Na verdade, no mundo virtual em que vivemos, essa mesma empresa poderia estar em qualquer local, num edifício de baixo custo. Em nada a “sede” pomposa ajuda na qualidade dos produtos ou serviços que presta a seus clientes.

E assim, vejo empresas fazendo verdadeiras loucuras para conquistar um novo cliente só para satisfazer o “ego” de seu pessoal. Vejo empresas dando descontos indecentes, prazos inaceitáveis, fazendo concessões inimagináveis, enfim “perdendo dinheiro e muito” só para que o seu concorrente veja do que ela é capaz.

Vejo empresas que fazem coisas absurdamente contrárias à boa prática financeira para conseguir um “top de marketing” na ilusão de que com esse prêmio o mercado a reconhecerá e pagará – no futuro – um prêmio pelos seus produtos.

Ao mesmo tempo conheço empresas que não aparecem muito. Não vivem atrás de taças, prêmios e troféus e que são absolutamente saudáveis financeiramente, firmes, dominam o seu mercado e prestam um excepcional serviço, conquistando a preferência de seus clientes que pagam a ela o “valor” que ela entrega.

Faça uma análise fria e objetiva e veja se você ou sua empresa não estão caindo nessa armadilha de andar atrás de “homenagens”, desviando o foco das vendas, da conquista do mercado, da geração de caixa.

Veja se você, como empresário ou dirigente, não está usando sua empresa para massagear seu “ego” em vez de “ganhar dinheiro”. Cuidado, lembre-se do velho Adoniram – “Chega de Homenagens! Quero o meu dinheiro”

Pense nisso. Sucesso!

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