Inteligência Corporal
Uma nova forma de aprender?

Paulo Egidio Artuzo
Ger. Treinamento In-Pacto

Sua empresa está em fase de mudanças?
Use seu corpo para se sair bem.

Falar em mudança organizacional, globalização, já parece "chover no molhado" como lembra o dito popular, ou seja, basta abrir um jornal ou revista e você encontra uma matéria, ou artigo sobre o assunto, mas a insistência faz-se necessária devido ao teor de influência em nossas vidas desta fase que o mundo se encontra. Mas as abordagens devem buscar a orientação aos indivíduos, pois que existem mudanças todos sabem, agir dentro do esperado "é que são elas".

Sempre ficamos sabendo de organizações que se reestruturam com grande sucesso e hoje funcionam com maior competência e mais competitividade, mas raramente somos informados das organizações que não conseguiram realizar mudanças significativas. Empresas que desenvolvem planos, estratégias, mas não conseguem alterações nos resultados. Alguns consultores afirmam que o número de reestruturações sem resultados é maior que os sucessos. Através do convívio com profissionais que passaram pela experiência de reestruturações frustradas, percebemos que existe a preocupação em direcionar a empresa sem nenhum planejamento de como as pessoas irão realizar estas passagens. Ora se as mudanças só serão bem sucedidas se as pessoas estiverem preparadas para isso, pois elas conduzirão e realizarão os processos, parece óbvio que os funcionários merecem especial atenção. Parece, mas não é óbvio, por isso tamanha quantidade de empresas que relegam suas pessoas ao segundo plano das mudanças.

Desenvolver a estratégia da organização é muito mais fácil do que conseguir que as pessoas mudem a forma de agir e pensar. Integrar mudanças organizacionais com mudanças pessoais é o grande desafio.

Se for introduzido um novo sistema de atuação em um "ambiente que pensa" de forma antiga, os resultados serão os mesmos de sempre.

Quando falamos de realizar mudanças pessoais, não podemos acreditar que conseguiremos os resultados através de alguma palestra ou cartazes espalhados pelos setores. O processo é longo e complexo, mas quando bem conduzido traz resultados gratificantes.

Todo o processo deve ser conduzido como uma aprendizagem constante, em que organização e indivíduos posicionam-se de forma aberta e receptiva, transformando-se constantemente, transformar é evoluir neste processo.

Parece simples, mas não é, pois os indivíduos não estão tão abertos e receptivos ou não conseguem transformações dentro do que é esperado. Grande parte destas dificuldades acontece pelo pensamento fragmentado que ainda predomina em muitas organizações, enxergando primeiramente a empresa separadamente dos seus recursos humanos e, ao aborda-los, o fazem também de forma fragmentada, entendendo o indivíduo como uma mente isolada, lançando informações sem a preocupação sobre como o indivíduo tratará estas mesmas. Lançar informações sem ações determinadas, também não traz os resultados esperados. É necessário mudar a forma de pensar, ver o todo, integrar o indivíduo aos conceitos. Quando falo indivíduo, refiro-me ao conjunto mente, corpo, essência (o subjetivo que você conquistou), indissolúvel. Novas metodologias que possibilitem aos indivíduos transitarem pelas diversas fases da organização em transformação sem perdas pessoais são pesquisadas, mas os meios que alcançam maior sucesso, são os que conseguem desenvolver sentimentos nas pessoas em relação aos processos, estes diminuem os traumas, pois a aceitação das mudanças nestes casos é quase total.

Uma maneira pouco explorada, mas com ótimos resultados tanto para integração a novos sistemas como para desenvolvimento de competências é a inteligência corporal.

Esta abordagem enxerga o individuo como um todo, integrando informação à mente e ao corpo, proporcionando aos indivíduos transitarem por situações diversas com mais segurança, determinação, mais consciência e maior percepção do todo em que está envolvido. Desde o nascimento o indivíduo se desenvolve constantemente, recebendo informações diversas do meio em que vive, interagindo e integrando-se a este meio.

O tempo todo, a criança desenvolve suas emoções, sua intelectualidade, seu sistema nervoso, seus músculos, sistema psicológico, enfim, seu todo. As informações chegam a mente e ao corpo constituindo o que será o futuro adulto. Com o passar do tempo, quando já adulto, grande parte dos indivíduos deixa de perceber as informações não verbais em curso, diminuindo a consciência corporal.

O corpo humano é capaz de receber informações e aprender rapidamente. Estas informações, não diretas, acrescentam-se a subjetividade do indivíduo, influenciando seu comportamento.

Através de atividades corporais, as pessoas são inicialmente sensibilizadas a retomarem a consciência de si, do próprio corpo. Só este fato já seria um grande avanço, pois proporciona ao ser maior sintonia e integração com seu todo.

Posteriormente, gradualmente o indivíduo vai integrando informações verbais e não verbais, sempre através de atividades corporais planejadas e conduzidas.

O indivíduo começa a vivenciar situações corporais ligadas à realidade que possui em seu dia-a-dia. A prática corporal de movimentos não determinados, com sutil e correta condução, leva o indivíduo a tomar contato com recursos intensos que podem auxiliá-lo em seu dia-a-dia, estes recursos já existem, mas encontram-se adormecidos. O sujeito quando trabalha a inteligência corporal, também externa o que lhe origina perturbações e comportamentos não desejáveis que até então não foram trabalhados. Deve-se ficar bem claro que não é terapia, mas um trabalho de desenvolvimento, devido ao conteúdo externado, faz-se necessário a presença de um profissional capacitado, como por exemplo um psicólogo. O corpo aprende a interagir (também de forma endógena), respondendo favoravelmente nas mais diversas situações. Pode-se desenvolver segurança a líderes inseguros, determinação aos que oscilam, iniciativa aos tímidos, etc, Claro que o indivíduo deve querer alcançar resultados, essa ainda é uma premissa básica.

Os exercícios iniciais são simples, como andar, movimentar braços, pernas, troncos, pescoço, rosto, pés, dedo, sempre livremente, buscando realizar movimentos não convencionais, o que já é muito difícil, pois quando frente a outras pessoas, o corpo vira um tabu, qualquer solicitação de movimento ou trejeito fora dos padrões convencionais, causa medo às pessoas. Vencido o primeiro obstáculo, de reconhecer que existem inúmeras possibilidades de movimentos no próprio corpo, e que podemos realizá-los, passa-se então a desenvolver a consciência do corpo, sentindo a respiração, a circulação, a pulsação, etc...

Por último as pessoas são introduzidas às situações às quais devem ser preparadas. O envolvimento passa a ser mais intenso e acelerado, levando à pessoa a também interagir no todo.

As práticas de inteligência corporal, não são novas, mas só recentemente recebem mais atenção por maior grupo de interessados, claro que não pode ser considerada como prática única de desenvolvimento pessoal. Ela faz parte de um processo. Acredito ser um grande passo na reintegração do "Eu" e da organização. São ferramentas para mudanças pessoais integradas às mudanças organizacionais.

www.in-pacto.com

ipext@yahoo.com.br.

Tel .: 11-9211-5970 ou 6946-1782.