Quem Tem Medo De 2002?

Artigo de Luiz Marins 

2002 chega com boas perspectivas para o Brasil. As previsões para 2001 começaram eufóricas e o ano terminou, por causa dos eventos internacionais que conhecemos, em situação pior do que a prevista, embora ainda o Brasil tenha tido resultados melhores que muitos países. 2002 será o contrário – começaremos em baixa e terminaremos em alta. Acredite!

Como tenho dito inúmeras vezes, o Brasil é tido como a capital mundial da tolerância e isso fará de nosso País um destino preferencial para investimentos produtivos de longo prazo e um destino preferencial para o turismo ambiental. O mundo precisa de locais tolerantes para produzir. Locais distantes de fundamentalismos radicais e que tenham razoável infraestrutura e estabilidade política. O Brasil reúne algumas condições favoráveis neste cenário intolerante e violento. Se fizermos a lição de casa necessária – diminuir o custo Brasil fazendo a tão esperada reforma tributária; desonerar ainda mais as exportações; baixar o custo do dinheiro para o empresário e para o consumidor; cuidar da segurança de forma eficaz para que turistas sintam-se seguros ao nos visitar, teremos em 2002 um ano de prosperidade. As eleições trarão um desafio extra para nossa nacionalidade, mas a verdade é que não temos nenhuma previsão de instabilidade política no horizonte.

Assim, terá medo de 2002 a empresa, o empresário, o profissional que não compreender e não quiser enxergar nesta crise mundial as oportunidades que poderão se apresentar para o Brasil e para seus negócios. Terá medo de 2002 a empresa que não compreender que graças às vantagens competitivas do Brasil, a competição será ainda maior em 2002 e as margens de comercialização serão ainda mais baixas e o cliente ainda mais exigente e intolerante com a baixa qualidade de produtos e serviços.

Terá medo de 2002 o profissional que não compreender que não haverá lugar para o "mais-ou-menos", para os pouco comprometidos com a sua empresa e com o seu emprego. Que não haverá lugar para quem não fizer um grande esforço de aperfeiçoamento pessoal e profissional.

Terá medo de 2002 quem não se preocupar em desenvolver produtos e serviços de qualidade, pois o cliente será ainda mais exigente e intolerante com a baixa qualidade tanto de produtos quanto da prestação de serviços.

Terá medo de 2002 a empresa que não treinar seus funcionários tanto em produtos quanto nas características de seu mercado, criando através das pessoas o diferencial necessário para vencer seus concorrentes.

Terão medo de 2002 os acomodados, os medrosos, os que não investirem em tecnologia, que não renovarem seus equipamentos.

Terá medo de 2002 a empresa que não se preocupar em fazer o seu cliente ganhar tempo com sua empresa.

Terão medo de 2002 os empresários e executivos que não compreenderem a importância da velocidade na tomada de decisões.

Terá medo de 2002 a empresa que não entender que estamos na era da economia do entretenimento e que o cliente deve sentir um genuíno prazer em relacionar-se com a empresa. Terá medo de 2002 a empresa burocratizada, pesada, lenta, complicada, descolada do comprometimento com o sucesso de seu cliente.

Terá medo de 2002 a empresa que não compreender que é preciso comunicar-se com o mercado de forma inteligente e eficaz, divulgando seus produtos e suas vantagens competitivas, fazendo promoções, cuidando da exposição de seus produtos no ponto-de-venda, cuidando e valorizando a sua marca.

2002 será um ano bom. Mas será bom para os "mesmos". Os mesmos que sempre acreditaram na sua capacidade de reverter expectativas através do trabalho árduo, da motivação de seu pessoal, do investimento no futuro de sua empresa. 2002 será um ano ruim. Ruim para os "mesmos". Os mesmos que ficam chorando a "crise", os mesmos que ficam esperando que os clientes os procurem em vez de criarem seu próprio mercado. Os mesmos de sempre. Os fracassados de sempre.

Feliz 2002.

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