AVALIAÇÃO DOS RESULTADOS DO TREINAMENTO – A PROVA DO VALOR QUE AGREGAMOS

Por convite da editoria do Vitrine, estarei compartilhando com os internautas deste espaço as reflexões e percepções sobre a tecnologia de avaliação e validação dos investimentos em treinamento e desenvolvimento de talentos humanos.

Antes, um desenho de cenário para situar os porquês da defasagem tecnológica e de processo no que se refere à avaliação de resultados de T&D no Brasil. Sabe-se, por via de pesquisas informais, que as preocupações com o assunto começaram a ganhar vulto a partir dos fins de 1994, ganhando muita força no transcorrer do ano de 2.001.

Até então, o que tínhamos era apenas algumas atividades isoladas, restritas a pouquíssimas empresas. Até mesmo nos eventos sobre T&D, como congressos, seminários, fóruns e demais, o assunto não merecia a ênfase merecida, porque, na verdade, a comunidade de T&D ainda não estava sendo cobrada pelas empresas no sentido de responder a questão: sabe-se o que é gasto com T&D, mas qual é o retorno desses investimentos?

A principal justificativa da falta de desenvolvimento metodológico e de processo sobre avaliação dos resultados em T&D está contida na própria história do Treinamento no Brasil. De 15 de dezembro de 1975, até 16 de marco de 1990, vigiu a Lei 6.297, a qual incentivava os investimentos em T&D, permitindo a dedução em dobro, no imposto de renda devido pelas empresas, de todos os investimentos em projetos de formação profissional. Na verdade, durante esse período nadava-se em recursos financeiros, executando-se grandes projetos de treinamento, o que alavancou substancialmente a cultura de T&D no Brasil, sendo esta a maior contribuição da citada lei. Contudo, não se contemplava a medida dos resultados, o que criou, em toda uma geração de profissionais de T&D uma lacuna que, hoje, mostra os seus aspectos negativos. Recorde-se que, entre 16 de marco de 1990, o dia em que a citada lei foi revogada, com outros incentivos fiscais em nível federal, pela então ministra Zélia Cardoso de Melo, de quem o país não sente a menor saudade, e os meses finais de 1994, as ações de T&D chegaram a um nível mínimo. Escasseando os recursos financeiros e aumentando progressivamente o esforço para enfrentar as primeiras turbulências provocadas pelo programa de modernização da economia brasileira, tivemos um efeito perverso na continuidade das práticas e projetos de T&D: praticamente reduziu-se em 60% os investimentos nas pessoas.

Passadas os primeiros dois anos do Plano Real, as empresas começaram a investir nos seus colaboradores, notadamente no que se refere à capacitação para as certificações nos programas de Qualidade Total, o que fez emergir a questão dos retornos dos investimentos e levar a comunidade de T&D a encarar o seu próprio despreparo para a medida destes retornos.

Hoje, final de 2.001 e, daqui para adiante, o imperativo da medida de resultados dos investimentos de T&D é a principal questão a ser administrada pela comunidade de T&D: nós sabemos que agregamos valor por via do nosso trabalho, mas quem paga a conta (banca o investimento) não sabe disso e é aí que "o bicho pega".

Este espaço do Vitrine visa, então, a disponibilizar os cenários para as reflexões e os caminhos para as ações concretas no sentido de fortalecer a cultura de avaliação dos resultados do treinamento.

No próximo artigo, faremos uma decomposição dos mitos e crendices (tolas) que ainda tomam conta da mentalidade de grande parte da comunidade de T&D em relação à avaliação dos seus resultados.

Benedito Milioni, sociólogo, administrador de empresas, escritor,
conferencista, profissional independente em Gestão de RH. E-mail
milioni@sti.com.br