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AS INQUIETAÇÕES DAS MUDANÇAS

"Quando as mudanças do mundo ocorrem em velocidade maior que a nossa, é sinal de que as coisas estão ficando complicadas". Jack Welch, Presidente da General Eletric.

Ao ler uma apresentação intitulada "O Brasil e os desafios do Século XXI" de Luiz Almeida Marins Filho, Ph.D, achei bastante interessante e decidir compartilhar com um amigo através de e-mail, pois tinha certeza que provocaria uma reação. Não demorou muito e obtive o seguinte retorno (na íntegra):

"Viver numa sociedade espantosamente dinâmica e instável é um desafio para todos. Esta mudança de paradigmas e valores em tempo recorde exige esforços redobrados e faz com que as pessoas saiam de sua zona natural de conforto. Não é fácil .... mas esta adaptação é imprescindível para a evolução das pessoas, e por conseguinte, da sociedade. Pessoalmente, estou passando por uma fase de adaptação muito difícil ... sinto a necessidade urgente de rever alguns valores pessoais e promover mudanças significativas na minha vida em diversos aspectos, mas ... primeiro tenho que vencer a batalha mais difícil: a resistência interior e o medo do desconhecido (do novo) e de correr riscos. Estou passando por uma fase em que estou muito incomodado: estou querendo caminhar, mas ainda não tenho força suficiente para dar o primeiro passo. Obrigado pela mensagem ... muito interessante! ".

Ao analisar a sua resposta muitas inquietações vieram à minha mente, sobretudo pela convicção, que o dilema que ele está vivendo, com certeza reflete o comportamento de uma parcela significativa do mundo corporativo. Esta geração rotulada de "obsoleta", e que sempre trabalharam em ambientes rígidos, com chefias autoritárias, que geriam recursos ao invés de intelectos, que apesar de terem sido produtivas, com habilidades para executarem todas as etapas estabelecidas para solucionarem um problema, sempre foram previsíveis, e educadas para serem uma mão-de-obra obediente, que respeitavam e valorizavam os regulamentos, e não tinham espaço para cometerem riscos, sem senso crítico e incapazes de atribuírem valores às diferentes possibilidades, que foram notadas apenas quando cometiam erros, e por conta disto eram facilmente manipuladas para não alterarem o poder estabelecido.

Agora com o intuito de satisfazer as novas expectativas geradas pelas constantes mudanças estruturais do mercado, está sendo chamada à uma reação brusca de atitude e comportamento. Previsivelmente, uma mudança dessa magnitude e rapidez afetou profundamente as idéias que as pessoas tinham de si mesmas e de suas carreiras, consequentemente gerou ondas sem precedentes de insatisfação e medo. Outra constatação cristalina, é que é mais fácil mudar crenças intelectuais que sentimentos arraigados, e se não bastasse, a falta de preparo dos gestores, não tem permitido aos colaboradores verbalizarem os seus conflitos internos.

Outra ausência significativa nesse processo é a de políticas e práticas de desenvolvimento humano, com a fomentação de ambientes em que fossem estimuladas e bem recebidas todas essas mudanças, com a criação de espaços que favorecessem a troca de experiências, onde estes colaboradores pudessem receber todo o apoio necessário e com liberdade de expressão. Como conseqüência natural os colaboradores acabam tendo dificuldades de se reposicionarem pessoal e profissionalmente.

Com o mapeamento desse cenário, o que lamentavelmente temos visto, é uma vulgarização desta situação, que está sendo tratada como fato trivial. Este conformismo, do modo que estão se dando as relações humanas, é extremamente danoso. Já tive o dissabor de ouvir esta famigerada frase "Eles simplesmente não encontraram o seu lugar, porque o sistema funciona assim, ou você se enquadra ou está fora" . O grande problema é que estamos em nossos lugares aceitando a lógica deste sistema.

Fernando Pessoa diz com muita propriedade que "É preciso desaprender para depois aprender", o grande dilema é saber o que temos que aprender, com que velocidade e como vamos nos abrir para isso.

Os problemas que ora retratamos, tem trazido muitas angústias e dissabores. Esta competitividade tão acirrada, gera ansiedade e acaba criando perspectivas estreitas e com pensamentos confusos, e toda esta tensão acaba idiotizando as pessoas.

Esta falta de visão da natureza humana, que ignora o poder das emoções é lamentavelmente míope, e gera uma desconexão entre os colaboradores e o mundo corporativo, trazendo implicações profundas e devastadoras.

Enquanto a solução adequada e global não se estabelece, ao meu amigo o qual conheço a sua qualidade e potencial, e aos que estiverem na mesma situação, posso comentar que tudo isso que acabo de escrever, é para dizer que, quando coisas fundamentais estão acontecendo, é inútil opor-se. Se você não fizer parte do rolo compressor, fará certamente parte da estrada. É muito melhor reconhecer o inevitável e fazê-lo trabalhar a nosso favor, quem não é parte da solução é parte do problema. Façamos uma reflexão e lancemos um olhar irreversível ao nosso próprio comportamento ao longo dos anos, e adotemos as correções, e busquemos nos renovar, rompendo crenças estabelecidas, e aprendendo a conviver com pessoas que joguem com outras regras, tirando proveito das particularidades, pois nada acontecerá sem a nossa transformação pessoal.

Concluindo, faço um alerta, não deixem passar a oportunidade de procurarem alguma coisa diferente. Tenham em mente, que o melhor ambiente nos dias atuais, não é aquele do modelo antigo, onde se buscava subir a qualquer custo, hoje os melhores ambientes são os que nos permitem crescer. Sendo assim, não se satisfaçam com o que fazem. O momento não é apenas de pegar o bonde, e sim conduzi-lo. Busquem sempre descobrir maneiras e métodos de melhorarem, mesmo que isso seja considerado contrários às tradições, tenham clareza que aprender é um processo para a vida toda, realizem o seu potencial, sonhem alto, e persigam com muita determinação a realização de seus sonhos, se precisarem mudem a estratégia, nunca o sonho. Mudem, para não serem mudados, mas respeitem a sua vocação e seus valores, isto está sendo determinante no mundo atual.

ROMEU MENDES DO CARMO
Administrador de Empresas, com
Pós-Graduação em Gestão da Tecnolologia da Informação
romeu@nct.com.br