VOCÊ ACHA OU TEM CERTEZA?

Você já tentou prestar atenção nas pessoas enquanto falam, principalmente quando estão discutindo um problema? Ou então na sua casa? Durante uma reunião? Até mesmo durante uma entrevista? Quantas vezes a palavra "acho" é utilizada como resposta? Caso não tenha percebido, ainda tente anotar num papel, independentemente da situação em que esteja, quantas vezes utiliza-se o termo da "achologia". Mas para quem não sabe esta palavra é utilizada 95% das respostas, por pessoas que não têm certeza, quer na solução de um problema, ou em uma resposta durante uma reunião. Cuidado, pois se ela for utilizada para resolver um problema, talvez sua empresa esteja "jogando dinheiro pelo ralo", e mais preocupante ainda, o profissional responsável pela área, deve estar causando outros prejuízos, além de não ter criatividade.

Mas como foi descoberta a "achologia"? Se eu responder que para mim foi descoberta a partir da implantação das Normas ISO-9000, no Brasil, alguém talvez ache que estou louco, ou delirando, mas provarei o que estou dizendo, pois senão vejamos.

No final da década de 80, e início de 90, com o surgimento das Normas ISO-9000, a empresa onde trabalhava uma multinacional, ocasião inclusive que percebi não achava, mas tinha certeza que o Jerubal Paschoal, Chefe Departamento Pessoal, estava com os dias contados, e principalmente neste país onde as Legislações de Recolhimentos de Encargos para a União muda em questão de horas, pois administrar a falecida Legislação Trabalhista é fácil., quando decidi que deveria aprimorar-me em Recursos Humanos, aproveitando a oportunidade da cia, na implantação de Sistemas da Qualidade, com objetivo da Certificação.

Pois bem, naquela ocasião fui treinado e preparado nos Sistemas de Qualidade, aliados a treinamentos e multiplicador. Dentro do planejamento, tínhamos uma empresa de consultoria de sistemas da qualidade, e por ocasião da realização de um dos Treinamentos, mais propriamente no intervalo para almoço. Estávamos, almoçando no restaurante da empresa. Na mesa estava eu, um dos consultores, inclusive proprietário da consultoria, e mais um colaborador e participante naquele dia do Seminário de Sistemas da Qualidade.

Durante o almoço, o colaborador que almoçava comigo e o consultor, questionou sobre o que ele (consultor), "achava" se as empresas nacionais teriam a mesma visão que as empresas multinacionais, quanto a Certificação das Normas ISO-9000. O consultor respondeu rapidamente e com sua costumeira inteligência: "No Século XXI se as empresas nacionais "acharem" que a implantação de Sistemas de Qualidade voltada para o aperfeiçoamento de seus recursos humanos, aliadas às necessidades dos clientes, não estarão mais no mercado porém aquelas que tiverem a certeza, não só conseguirão manter-se no mercado, bem como estarão em franco desenvolvimento".
Ao completar sua resposta, o consultor perguntou ao colaborador: "Você entendeu?". A resposta foi rápida: "Acho que sim" Diante da resposta, o consultor voltou à mesma resposta acima. Novamente ao terminar perguntou ao colaborador. O colaborador não entendendo nada, e com um ar lúdico, voltou a dar a mesma resposta. "Acho que sim". O consultor, dessa vez, decidiu aproveitar o momento diante da insistência do colaborador questionador, e explicou o seguinte: "Meu amigo, enquanto as empresas "acharem" e agirem como você, no século XXI, não teremos os dois no mercado, nem a empresa e você, pois ambos estarão mortos". Em complemento explicou: "procure não "achar"; tenha certeza, pois diante de um problema, quem "acha" demonstra que não tem criatividade e a certeza de a situação de não-conformidade, desaparecerá". Em meio a tantas outras explicações, o consultor disse ao colaborador, e fez mais uma colocação, que além de completar o que já havia dito ao questionador, para mim foi a soma, e quando comecei além de aprimorar-me cada vez mais nos estudos da "achologia", quando disse o seguinte: "Meu amigo, "achologia", representa soluções chamadas "Band-Aids", e quando você menos espera o problema volta, aliás, isto hoje em dia ( naquela época, muito embora atualmente também ocorre com freqüência ), é muito comum, principalmente quando um cliente reclama do produto que a empresa vendeu a ele, não satisfaz suas necessidades, e ao devolver ao produto, alguém irá dizer que ele está errado, pois foi aquilo que ele pediu foi entregue... etc..., sem que tenha verificado e rastreado todo o produto para saber se o cliente tinha razão ou não, e não explica se ele está certo ou errado... Resultado: o cliente compra do concorrente, pois lá ele é atendido por pessoas que tem certeza e não "acham".

Ao terminar o almoço, e retornando à Sala de Treinamento, decidi que iria realizar estudos e pesquisas sobre "achalogia".

Muito embora não esteja mais naquela empresa, porém muito orgulhoso de ter contribuído e com a certeza da Certificação, e que hoje é uma realidade, e quanto ao colaborador não tive mais notícia, pois ele continuou achando, e não conseguiu desenvolver-se, sendo demitido.

Hoje, continuo ainda atento as pessoas quando na empresa onde trabalhando, aqueles que "acham", aliás tenho utilizado este termo como avaliação, pois o resultado de minhas consultas demonstrou ser um paradigma, resultado da fadada "Revolução Industrial", pois as empresas "achavam" que o correto era produzir em série, os vendedores "achavam" que eram profissionais, e na realidade eram simplesmente "tiradores de pedido"; os colaboradores, aliás, eles ainda hoje "acham" que são "empregados" ou "funcionários" ( a culpa não é deles, é da CLT e dos empresários que também acham ), ao invés de entender, que é na pessoas deles, através da criatividade, melhoria contínua, participação e comprometimento, que dependem os clientes internos e externos.

Por isso, sempre que ocorre um novo provimento de recursos humanos na empresa, quer internamente ou externamente, faço uma pergunta que é primordial aos candidatos, através da seguinte pergunta: "Por que você deve ser o escolhido para cargo"?. Se o candidato responder "eu acho que devo ser escolhido, por isso ou por aquilo". Caso você, faça esta pergunta e o candidato der essa resposta, cuidado, ele será mais na empresa e não ter certeza, e certamente contribuirá para os prejuízos.

Posso dizer que infelizmente, chegamos ao ano 2.000, e ainda as pessoas "acham", não só na nossa empresa: na nossa imprensa falada e escrita, tem sido a grande divulgadora da "achologia". É só prestar atenção, inclusive quando entrevistam analistas políticos, comentaristas de esportes de todas as modalidades, e mais recentemente candidatos(as) a cargos de Prefeito e Vereador, principalmente nos debates realizados pelos canais de televisão. Por exemplo, uma das candidatas a Prefeito de uma das grandes cidades do Brasil, chegou durante o debate, a responder 20 questões, quer de seu oponente ou dos Jornalistas presente, podem acreditar, em 18 respostas ela disse: "eu acho". Fico pensando como será o seu mandato, cheio de "achologia", pois quando ela tiver "certeza" já estará governando.

Também recentemente, fui assistir um Seminário de Liderança, com o excelente Wanderley Lopes, durante sua apresentação, coincidente foi apresentado o tema de "achologia", pois conforme disse o palestrante, infelizmente as empresas ainda mantêm "achologistas" em cargos importantes no segundo escalão, e que consequentemente fazem escola junto a seus subordinados. Inclusive acrescentou sua apresentação como história, e que complementa meus exemplos, da seguinte forma: " Certa vez, um Rei ficou observando da porta do Castelo seus súditos, e percebeu que alguns tinham expressões alegres de certeza, e outras expressões tristes de incertezas. Para ter certeza e tirar suas dúvidas quanto a administração do reinado, convidou todo o povoado para ir ao uma festa, realizada a beira da piscina no Jardim do Castelo. No dia marcado para a festa, o Rei subiu no palanque especialmente montado próximo a piscina, e pediu que todos prestassem a atenção, para o que ele iria fazer e em seguida faria uma pergunta sobre sua apresentação. O Rei mandou uma das serviçais trazer uma laranja e uma faca, cortou-a em quatro partes, e jogou dentro da piscina. Em seguida, quem gostaria de subir no palanque e responder o que ele fez? Um dos convidados subiu no palanque, e ao ser questionado, pediu para ir até a borda de piscina e verificar, o que o Rei tinha jogado na piscina. Mediante a autorização, foi até a borda da piscina, voltou e disse ao Rei: "Eu acho que Vossa Majestade jogou uma laranja na piscina". O Rei perguntou se ele "achava" ou tinha "certeza". O pobre rapaz respondeu "eu acho". O Rei solicitou que o rapaz fosse levado a guilhotina, pois não admitia que seus súditos achem pois eles devem a certeza. Em seguida perguntou se havia mais alguém que gostaria de subir ao palanque e responder. Mais um dos convidados, apresentou-se para responder, pediu se o Rei, permitisse que ele ficasse de "shorts" e se poderia entrar mergulhar para verificar o que o Rei havia jogado na piscina. Mediante autorizou do Rei, mergulhou na piscina, pegou os pedaços de laranja, chupou, voltou para o Rei, e disse: "Tenho certeza que Vossa Majestade cortou uma laranja em quatro partes e jogou na piscina". O Rei aplaudiu o rapaz, e elogiou perante a todos, dizendo, que aquela é uma atitude correta, pois para saber o que realmente estava acontecendo, ele foi comprovar e saber a verdadeira resposta..

Claro que se você tiver em sua empresa alguém no cargo de liderança, que anda dizendo em todos os lugares e independentemente da situação ou questionamento "achando", poder ter certeza que seus subordinados são verdadeiros seguidores, e passam dia em inteiro resolvendo os problemas "achando", a guilhotina não é a solução, mas como diz o Professor Luiz Marins, da Anthropos, "Dê a ele uma carta de recomendação e mande para seu concorrente".

João Batista Benetti . Assessor de Recursos Humanos.
Luciane Produtos para Vedação Ltda. Atibaia-SP.
Formado em Administração de Empresas, pela FAAT.
Pós Graduado : Recursos Humanos, pelo INPG - com seis meses de MBA. Rh@luciane.com.br