A NECESSIDADE DE REINVENTAR A ADMINISTRAÇÃO

Organizações que se preparam para o futuro têm por característica antecipar mudanças que são necessárias para torná-las aptas a atuarem no novo ambiente. Como as organizações estão começando a fazer isso, ou como poderão fazê-lo? Garantir que uma empresa sobreviva, às portas do terceiro milênio, requer mais do que estratégias corporativas de marketing ou posicionamento no mercado atual. Sobreviver significará estar exposta a ambiente muito mais exigente, no que se refere às condições de preço e qualidade de produtos e serviços e, principalmente, à sustentabilidade. Uma Organização será também observada por indicadores sociais que já começam a serem apontados por alguma instituições, e ainda pela sua "ecoeficiência".

A Ecoeficiência e a Gestão Empresarial: Como definido pelo World Business Council for Sustainable Development (Genebra 1996), ecoeficiência significa "a competitividade na produção e colocação no mercado de bens ou serviços que satisfazem às necessidades humanas, trazendo qualidade de vida, minimizando os impactos ambientais e o uso de recursos naturais, considerando o ciclo inteiro de vida da produção e reconhecendo a ecocapacidade planetária". A grande equação que se apresenta para o próximo milênio é: como garantir a competitividade das empresas tendo como uma das metas empresariais reverter o quadro de desemprego, melhorar as condições ambientais e impulsionar a economia dentro de padrões de desenvolvimento sustentável? Satisfazer as necessidades do presente sem comprometer a qualidade de vida das futuras gerações é o cerne do Desenvolvimento Sustentável.

Como as empresas podem iniciar o processo de sobrevivência para além desses desafios? É certo que elas não podem arcar com todo o ônus do processo. Cumpre a cada parte envolvida, empresas, governos, organizações não governamentais, universidades e à própria sociedade como um todo, definir e realizar a sua parte. Expectativas devem ser transformadas em planos e estes em ações que tenham sinergia, sejam integradas e coordenadas num único intuito de construção, consolidando esforços e movimentos já existentes dentre as várias categorias das entidades aqui mencionadas. O somatório dos esforços individuais se constituirá em Organizações que poderão gerar as grandes transformações sociais demandadas já por essa geração que vive a "era da economia do conhecimento".

Educação para a Evolução: Garantir a prática de novos valores é precípuo e isso acontecerá à medida em que se eleva o grau de conscientização sobre as importantes questões que se apresentam. Se a elevação desse grau é resultante da quantidade e qualidade de informações sobre riscos e o nível de preparo das organizações para avaliá-las e usá-las, podemos inferir o tamanho do desafio das comunicações, e imaginar a importância do papel dos sistemas de informações. O que chega ao conhecimento da sociedade e o que ela acredita ser importante faz uma grande diferença, pois é isso que vai determinar o tamanho da pressão para a concentração das ações empresariais, e de todas as organizações, naquilo que se torna cada vez mais essencial e prioritário: a preservação do planeta e da vida, com dignidade para todos.

É preciso ser capaz de refletir sobre como estamos construindo o futuro, e repensar uma nova forma de organização de todas as atividades humanas.

Renilda Ouro de Almeida

renilda@perspectivas.com.br

Administradora - Coordenadora do Projeto ACORDE (*) do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável – CEBDS e Diretora do Programa "Construção de uma Sociedade mais Digna", da Perspectiva Consultoria e Educação – http://www.perspectivas.com.br.
(*) Ação para a Competitividade Regional com Desenvolvimento Sustentável