LIVRO É PARA SEMPRE

 

Por Paulo Botelho

 

“Livro: árvore de um bosque encantado e que se anima ao abrir-se.” Mário Vargas Llosa, escritor peruano.

 

Explicado pelo matemático húngaro Paul Erdos, o livro é um produto intelectual e, como tal, encerra conhecimento e expressões individuais ou coletivas. Mas, também, é um produto de consumo, um bem. E sendo assim a parte final de sua produção é realizada por meios industriais de impressão e distribuição.

Tal como a roda, o livro é uma invenção consolidada, a ponto de as revoluções tecnológicas – anunciadas e temidas – não terem meios de acabar com ele.

Acabo de entregar na Editora Allprint o texto final de meu livro “Moinhos de Vento”. A partir de junho próximo ele estará à venda nas livrarias Saraiva, Cultura, Siciliano e Martins Fontes. Inspirado em Miguel de Cervantes, autor de Dom Quixote de La Mancha, o livro trata de diversificados e complexos moinhos a remover: no meio ambiente, na gestão logística, na comunicação empresarial, nos negócios, nas políticas públicas e, sobretudo, nas relações humanas.

Mas, qual é o ganho em satisfação pessoal ao escrever para os outros lerem? – Encontrei uma bela resposta no seguinte relato do poeta inglês W. H. Auden: “Uma amiga minha, estava numa prisão para mulheres, em New York, por ter tomado parte num protesto político nos anos 70. Nesse lugar, uma vez por semana, aos sábados, as moças eram levadas para o banho. Um grupo estava sendo escoltado para lá quando uma delas, prostituta, anunciou em altos brados: Hundreds have lived without love, but none without water! (Centenas viveram sem amor, mas ninguém sem água!) – Era o verso de um poema dele que acabara de sair publicado na New York Review. Auden diz que quando ouviu essa história soube que não escrevia em vão.

Mas, para que livros por aqui se temos milhares de vídeos tão interessantes? – Nossos “exemplos” estão muito distantes da sintaxe da música de Bach, da física de Einstein ou da literatura de Machado de Assis. 

É preciso acabar com a pobreza e a miséria deste país. Nisso todos estamos de acordo. Mas, também, acabar com a falta de educação e cultura; porque falta de educação e cultura também é pobreza e miséria.

Nossa pobreza e miséria cultural pode ser constatada ao compararmos Brasil e Argentina: enquanto Buenos Aires tem uma livraria em cada esquina, em São Paulo ou no Rio de Janeiro há um bar!

Livro é como uma colher, um machado, uma tesoura. Uma vez inventado, fica para sempre!

 

Paulo Augusto de Podestá Botelho é Professor e Consultor de Empresas. www.paulobotelho.com.br  .