Tinha um Obstáculo

Por Paulo Botelho

“No meio do caminho tinha uma pedra;

tinha uma pedra no meio do caminho”.

Carlos Drummond de Andrade, poeta.

Ele se chama Baloubet du Rouet. Não é o nome de um fino vinho francês, tampouco de um perfume da mesma procedência; mas de um cavalo. Não um pangaré qualquer, mas um alazão da raça Sela Francês – raça reconhecida há 250 anos, ideal para provas de saltos com obstáculo.

Baloubet nasceu em 1989 e está aposentado desde 2007;  vive num haras próximo a Lisboa. – “Se ele toma um coice da égua na hora do acasalamento, ele pode ficar aleijado para sempre” diz seu dono, o milionário português Diogo Coutinho; entretanto, Baloubet continua dando lucros: uma ampola de seu sêmen custa 12 mil euros. Baloubet du Rouet  já tem cerca de 700 filhos!

Seu adestramento foi feito sem maus-tratos – chicotadas, esporadas – mas com alfafa fresca, rabanete, alho poró, inhame, cenoura, aveia e mel;  e sobretudo afeto e carinho.

 Montado pelo brasileiro Rodrigo Pessoa, Baloubet foi campeão olímpico de 2004 em Atenas, Grécia; mas na olimpíada anterior de Sidney, Austrália refugou. Ele era o favorito para a Medalha de Ouro, mas refugou no obstáculo e perdeu a Medalha. – Quem viu aquela cena não se esquece: em seguida ao refugo diante do obstáculo, Rodrigo Pessoa apeou e beijou o focinho de Baloubet. – O gesto foi muito aplaudido.

Quando contei isso para um sujeito, ele redarguiu dizendo: “Esse cavalo bem que merecia uma surra. – Ah, se fosse lá em Barretos!”

São Pedro negou Jesus Cristo por três vezes; Baloubet se negou a pular o obstáculo uma vez. – Ambos não deixaram de ser amados pelos seus chefes!

Paulo Augusto de Podestá Botelho é Professor, Escritor e Consultor de Empresas. www.paulobotelho.com.br