Eureka!

Quanto vale uma nova idéia? Nada. Ou tudo, dependendo da execução. Se capital intelectual é a nova moeda do sucesso, então certamente podemos dizer que a criatividade e a inovação são os grandes diferenciais que separam as empresas da Nova Economia umas das outras. Mas falar de criatividade sem resultados práticos é pura perda de tempo no mundo empresarial. Aliás, sempre foi assim – é só agora que a coisa realmente começou a ganhar status de ciência.
A revista Fast Company (www.fastcompany.com) entrevistou vários luminares sobre o assunto. Vejamos um resumo do que foi dito:
A dificuldade toda da inovação começa no próprio comportamento do ser humano, principalmente dentro do ambiente corporativo. Arno Penzias, prêmio Nobel de Física, resumiu isso bem quando disse que as pessoas estão sempre procurando motivos para ‘tirar um sarro’ e divertir-se às custas dos outros. Qualquer pessoa que seja um pouco diferente é sempre um alvo fácil. A ameaça de ser ridicularizado mantém todo mundo dentro das normas. Isso acaba criando fortes barreiras à criatividade. As empresas gastam fortunas e muitas horas teoricamente encorajando as pessoas a serem criativas, enquanto na realidade fazem o contrário, com pequenos gestos e comentários.
Para o pessoal da Ford, o melhor antídoto para isso foi criar uma equipe heterogênea dentro da empresa. Se você só contrata gente do mesmo tipo, acaba todo mundo tendo as mesmas idéias. É a diversidade que faz com que vários ângulos e pontos de vista sejam analisados. Por exemplo, com a minivan Windstar, um sucesso de vendas nos EUA, foi criado o que se chamou de ‘modo do bebê dormindo’. Acontece que a maioria das minivans é utilizada por mulheres com crianças, e as fortes luzes do interior do carro acabavam acordando os bebês quando a mãe chegava em casa à noite e abria a porta do carro. O iluminação no modo bebê dormindo permite que somente as luzes do chão acendam, garantindo a tranqüilidade da criança (e, obviamente, da mãe). Isso só aconteceu porque as mulheres foram consultadas.
Aliás, uma idéia não pode ser chamada de inovação até ser colocada em prática e largamente utilizada pelo público. A maioria das pessoas é contra qualquer tipo de mudança, então uma boa parte da inovação consiste no trabalho de convencer outras pessoas de que você tem uma boa idéia. Por exemplo, Art Fry, inventor do Post It®, da 3M, conta que no começo o Post It® foi um fracasso de vendas: as pessoas não sabiam o que fazer com aquilo, e a propaganda não era suficiente para fazê-las comprar e experimentar. A única forma de vencer essa resistência inicial foi dando amostras grátis do produto – até que milhares de pessoas ficaram literalmente viciadas nos pequenos bilhetinhos amarelos, e hoje ele é o sucesso que é.
Douglas Engelbart inventou o mouse em 1963, mas ele só começou a ser usado vinte anos depois – porque as pessoas achavam que ele era complicado demais! Por isso os primeiros mouses (da Apple) tinham apenas um botão – para que as pessoas não se confundissem. Essa é outra armadilha que acaba limitando o desenvolvimento: coisas fáceis de usar, desenhadas apenas para usuários iniciantes, são obviamente limitadas. A mentalidade do ‘tudo tem que ser inicialmente fácil’ é uma armadilha – em busca da satisfação à curto prazo, limita-se imensamente o crescimento depois.
Falando nisso, como funciona a Internet? Seu computador? O forno de microondas? A injeção eletrônica do seu carro? Seu relógio de pulso? Seu cérebro? A criatividade e a imaginação são o que nos permite aproveitar as coisas sem realmente compreendê-las. Não temos que entender tudo.
A criatividade surge quando aceitamos que não estamos seguros, quando temos consciência absoluta disso e deixamos de tentar controlar tudo. Não importa quantos gráficos, relatórios e pesquisas você tenha – não dá para prever o futuro. Sempre teremos surpresas. Coisas que eram para dar certo falharão, e coisas que pareciam perdidas serão um sucesso. Muita gente fica presa na armadilha da inovação, quando na verdade deveria estar simplesmente procurando novas idéias.
No mundo dos negócios, o que mais importa são os resultados – do ponto de vista do cliente. É ele quem manda. Muitas empresas se complicam quando confundem suas atividades com seus objetivos. É geralmente nesses momentos que aparece um concorrente e conquista seu mercado. Mais uma história interessante: segundo Frederick Smith, fundador da FedEx, o pessoal da sua empresa achava que vendia o transporte de bens, mas na verdade descobriram que vendiam paz de espírito. Quando finalmente conseguiram entender isso, perseguiram furiosamente o novo objetivo. Deram a cada um de seus motoristas um computador de mão, ligado à Internet. Fizeram com que fosse possível para os clientes rastrear seus pacotes 24 horas por dia. E a FedEx não pára de crescer.
Uma boa parte da inovação é estar aberto. Você tem que estar pronto para receber o inesperado, entendendo que muitas mudanças são positivas, e não negativas. Muitas pessoas vêm algo diferente e já acham que isso está errado. Inovar é ter a habilidade de ver algo diferente e enxergar sua essência, reconhecendo que o valor está justamente nessa diferença.
Se você é realmente criativo, sabe que sentir-se sozinho e inseguro faz parte da vida. Você não pode ter tudo – não dá para ser criativo e conformista. É preciso reconhecer que o que faz de você uma pessoa diferente é justamente o que o faz criativo também.
Todos tem a habilidade de fazer algo inovador. Acontece que a maioria das pessoas pensa em inovações como algo complexo, um processo científico reservado para alguns poucos iluminados. Mas a verdade é que todo mundo tem à sua volta as ferramentas necessárias para melhorar alguma coisa em sua vida. Não é preciso ser extraordinário – na verdade, as melhores inovações são geralmente as mais simples. Lembre-se: você não pode ser criativo amanhã – o presente é a única coisa que temos.
Pense nisso: seja criativo e Venda Mais.

 

Raúl Candeloro,
Autor dos livros Venda Mais e Negócio Fechado,
é palestrante e editor da revista Técnicas de Venda
e responsável pelo site VendaMais

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